Player
Tocando Agora
Carregando...
ALTERNATIVA FM
Eletrônica SandesSetembro Amarelo

Trabalho da Ufal faz diagnóstico precoce de doença na córnea

Trabalho da Ufal faz diagnóstico precoce de doença na córnea
Imagem  Assessoria / Ufal
Análise computacional da biomecânica corneal para diagnóstico de ceratocone  é o título do trabalho premiado na categoria Regional Nordeste, em um dos maiores congressos de medicina do Brasil, o 62º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

O trabalho, que também é a dissertação de mestrado, foi produzido por Kempes Jacinto, estudante do Programa de Pós-graduação em Modelagem Computacional de Conhecimento (PPGMCC) e servidor da Ufal em Palmeira dos Índios, no cargo de técnico em tecnologia da informação. O orientador foi Aydano Machado, professor do Instituto de Computação (IC).

Segundo Kempes, seu orientador já desenvolve pesquisas com o oftalmologista João Marcelo, e incentiva os alunos a pesquisarem sobre a área. Kempes havia visto a defesa de outro aluno do PPGMCC sobre o assunto, e percebeu outros pontos para explorar.

O trabalho e o êxito

Os pesquisadores explicam que Ceratocone é uma doença na córnea, progressiva, degenerativa e lenta. Ela se desenvolve ao longo de 20 a 30 anos e à medida que o tempo passa, o paciente começa a perder a visão. Nas fases iniciais é possível usar colírio, lente de contato, ou mesmo óculos. Mas, nas fases mais avançadas, é preciso realizar a inserção do Anel de Ferrara, ou mesmo um transplante de córnea, este, por sua vez, não garante resultados, havendo a possibilidade da doença retornar, ou a córnea ser rejeitada.

Imagem comparativa de uma córnea normal e uma com ceratocone. (Foto: Arquivo pessoal do pesquisador)

Kempes afirma que o ideal é que seja feito um diagnóstico em suas fases iniciais, mas é um trabalho muito difícil, tendo em vista que não existem muitas diferenças entre uma córnea saudável, e a que possui a doença. Diante desse contexto, o trabalho possui justamente o objetivo de realizar o diagnóstico precoce, com a ajuda de um equipamento.  

 ‘’Meu trabalho entra exatamente na tentativa de fazer esse diagnóstico nessas fases iniciais, com a ajuda do equipamento Corvis ST, que tira um conjunto de 140 fotos num período de 32,11 milissegundos durante a aplicação de um jato de ar. E a partir dessas imagens que o Corvis captura, o objetivo é tentar diagnosticar o ceratocone’’, explicou.

Através de dois métodos diferentes, Kempes realizou a análise das imagens obtidas, e conseguiu fazer o diagnóstico das fases iniciais da doença. Assim, a tentativa se transformou em êxito, dando ao trabalho o caráter de ter sido o primeiro a realizar tal feito. Outros trabalhos também conseguem efetuar o diagnóstico precoce da doença, mas o de Kempes é o primeiro a partir de uma análise dinâmica da córnea, decorrente da sequência de todas as imagens do equipamento. O pesquisador ressalta que o procedimento ainda não está 100%, mas através do estudo, ele já conseguiu entre 82 e 86% de precisão no diagnóstico.

O prêmio

Sobre a importância de receber o prêmio Regional Nordeste, no CBO, para Kempes é uma forma de reconhecimento, tendo em vista que ele é estudante de outra área de conhecimento. “Para mim, a importância é muito grande, eu não sou da área de oftalmologia, sou de ciências da computação, e eu estou tendo um trabalho reconhecido pela comunidade alvo do meu trabalho”, ressaltou.

“Enquanto aluno, vejo que a importância também é muito grande, porque o PPGMCC não tem ainda a parte de doutorado, mas é um programa que está desenvolvendo pesquisas bastante importantes e com atuação multidisciplinar”, pontuou.

Para Aydano, o recebimento de um prêmio é importante por dois motivos principais, sendo o primeiro o reconhecimento e valorização do trabalho realizado, e o segundo as oportunidades decorrentes da premiação. “Com um prêmio em um evento de grande porte como esse, o aluno/orientando tem a certeza da importância do seu trabalho e que o que foi produzido tem valor e qualidade para a sociedade. O segundo motivo está relacionado com as oportunidades que aparecem com a divulgação e exposição que vêm com o prêmio. Um trabalho bem feito e reconhecido é sempre um bom cartão de visita para continuar ou iniciar outras atividades”, concluiu. 

Sobre o evento

Este ano, o CBO aconteceu em Maceió, entre os dias 5 e 8 de setembro, no Centro de Convenções. O objetivo do evento foi discutir os mais recentes tratamentos e o desenvolvimento de novas tecnologias e drogas para a oftalmologia, com a participação de representantes dos maiores centros de pesquisa do Brasil e do mundo.

Por Amanda Alves / Ufal

Comentários

Comentário enviado com sucesso!
Carregando comentários...